MINHA MAYARA CHEGOU
Belo Horizonte, 24/08/2006
|
|
Depois de exatos 20 meses! Eis o meu relato!
O Início
Desde adolescentes, Adriano e eu sempre quisemos ter filhos, mais
especificamente quatro. Ele vivendo a vida dele e eu a minha, sem nos
conhecermos, mas com o mesmo pensamento. Queríamos tanto isso que
chegamos a até a pensar, cada um consigo, na possibilidade de sermos
estéreis: “Será que logo eu que quero tanto ser mãe/pai, não vou
poder ter o meu filho!” Divagações de adolescência...
Anos mais tarde nos tornamos vizinhos e vivemos uma linda amizade que
durou cerca de três anos. No dia 25/05/1995, começamos a namorar, eu
com 16 anos e ele com 19. Em poucos meses nosso namoro já estava muito sério.
Não pensávamos em casamento, éramos muito novos, mas já tínhamos a
sensação de que viveríamos juntos para sempre. Seis anos e meio de
namoro, mais um ano de noivado e dia 19/10/2002 nos casamos. Foi o dia
mais especial de nossas vidas! (Até aquela data!)
Fizemos um vídeo na véspera do casamento e nele eu profetizei “daqui
uns
três ou quatro anos ficar grávida e ter nosso primeiro filhinho”. Em
março de 2005, conversamos e decidimos parar de evitar a gravidez.
Sabíamos que poderia demorar até um ano pra acontecer, então já
estava
na hora de começar. Todo mês esperávamos que pudesse acontecer, mas
nada. Começamos a ficar ansiosos pro nosso anjinho chegar. Em outubro,
ficamos envolvidos com outros assuntos e acabamos não pensando em
gravidez. Foi aí que deu certo!
Gravidez
No final de novembro que tudo começou. Eu com 26 anos e Dri com 30. No
dia 01/01/2006 (domingo), a Dora (amiga da minha sogra) desconfiou que
eu estava grávida: “Você está muito quietinha e sonolenta. Você não
é
assim! Você não está grávida, não?”. Eu nem dei bola, achando que
isso
nem era possível. No mesmo dia, à noite, comecei a sentir-me mal: enjôo
e dor de barriga. Pensei que fosse conseqüência da comilança do
Reveillon. Os dias foram passando e nada de melhorar. Todo mundo começou
a falar que eu estava grávida e eu não acreditava.
Na quinta-feira (05/01), saí do trabalho mais cedo, pois estava muito
enjoada. No caminho, resolvi comprar um exame de farmácia e fiquei na
expectativa de dar vontade de fazer xixi. Antes do Dri chegar ia fazer o
exame, mas estava tão ansiosa que acabei derrubando a urina. “Ai, meu
Deus, vou ter que esperar a vontade de fazer xixi de novo pra fazer o
exame”. Dri chegou em casa e eu nem toquei no assunto. Quando ele foi
à
padaria, fiz o exame. Tchan, tchan, tchan tchan.. Deu positivo! Eu
olhava para aqueles dois tracinhos e não podia acreditar. “Como vou
dar
a notícia pro Dri?”. Tranquei a porta (ele não tinha levado chave),
coloquei a câmera fotográfica apontada pra porta, filmando, para
registrar o momento da notícia e escrevi na barriga "TEM UM
ANJINHO".
Ele chegou antes que eu terminasse e ficou batendo na porta. Eu pedindo
pra esperar. Foi muito engraçado! Quando ele entrou: <veja o que
aconteceu>.
No dia seguinte, fizemos o exame de sangue (Beta HCG) e ficou
confirmado!!! Ficamos radiantes de felicidade!! Á noite, escrevi na
barriga de novo e contamos às famílias. Foi a maior festa! A
Camila foi
quem mais gritou! Mari e Helinho ficaram meio passados, não acreditando
naquela notícia tão boa. Minha mãe, nem se fala, ficou alguns
segundos
olhando pra barriga processando a informação, com os olhos cheios de
lágrimas. Foi muito emocionante! No sábado de manhã, minha mãe e
Mari
trouxeram os primeiros presentes! Uma manta, um casaquinho e um par de
sapatinhos, branquinhos, lindos!!!
Daí pra frente foi só a notícia se espalhando e eu enjoando o dia
todo. Tinha que comer de 2 em 2 horas e beber água o tempo todo para não
vomitar. Pelo menos, não tive mais crises de enxaqueca. Os enjôos
duraram até a 12ª semana.
Fiz o 1º ultra-som (US) com 8 semanas pra descobrir a idade
gestacional. Eu não tinha nem idéia da minha DUM (Data da última menstruação).
Com 12
semanas, outro US e translucência nucal (TN) ok. A médica chutou que o
sexo do bebê era feminino, mas nós e a maioria de nossos familiares acreditávamos
que
seria menino! (A Mari dizia que era menina!).
Fui em três médicos antes de encontrar a minha. Achei-os frios e
distantes. Queria uma médica mais carinhosa e atenciosa. Li alguma
coisa
sobre parto humanizado e procurei saber no plano de saúde se eles me
informavam qual o médico tinha menor taxa de cesárea. Disseram que não
poderiam informar, mas indicaram três nomes, sendo um deles mulher. E
eu
queria mulher. Liguei, mas ela iria ter bebê logo e não poderia
acompanhar pré-natais que estivessem no início. Marquei com outra do
mesmo consultório. Cheguei lá e foi amor a primeira vista. Nunca me
identifiquei tanto com um médico. Pensei: “Agora achei!”. Cheguei a
perguntar sobre parto de cócoras e pai cortando o cordão. Ela disse
que
nem uma coisa nem outra e até me indicou um nome que hoje sei que é
humanista, mas como era homem e não atendia pelo meu convênio, nem
procurei. Além do mais tinha gostado tanto dela. Ela disse que preferia
parto normal e como é plantonista no SUS, senti que estava nas mãos
certas.
Com 20 semanas, fiz o US morfológico e foi muito legal! Vimos cada
parte
em detalhes, ficou confirmado que era uma menina e nos sentimos mais
próximos ainda do nosso anjinho. Na mesma semana, senti Mayara mexer
enquanto assistia o filme “Panteras Detonando!”. O nome já estava
escolhido desde antes da gravidez. (Mayara = Variante de Maiara, tupi.
Quer dizer senhora. Revela certa capacidade para tomar a vida com
descontração. É próprio das pessoas que desdramatizam as situações
mais
conflituosas e delicadas. Por vezes, podem ter implícita dose de
volubilidade.)
Com 32 semanas, outro US. Tudo bem! Mayara com 1958g e placenta grau II.
Final da Gravidez
A partir da 36ª semana de gravidez, as consultas passaram a ser
semanais
e a expectativa aumentava cada dia mais. Exames todos normais, tudo
tranqüilo. Finalizamos a maioria dos preparativos e curtia a barriga
mais a cada dia. Amava estar grávida. Foram raras as vezes que reclamei
de qualquer incômodo. Estava tão feliz com a proximidade da chegada da
Mayara que não me importava com nada: dor nas costas, inchaços,
saudade
de dormir de bruços. Tudo isso era muito pequeno em relação a minha
alegria de estar gestando.
Os dias iam passando e nada do trabalho de parto dar sinais que
começaria. Nada de dilatação (cólo duro, fechadinho, grosso e
posterior), nada de contrações e bebê alta. Com 38 semanas um US para
verificar o bebê. Tudo certo, Mayara crescia/engordava direitinho, mas
um fantasma começou a me assombrar: Placenta Grau III (significa que
ela
está amadurecida e pode parar de nutrir/oxigenar o bebê quando ficar
totalmente calcificada). Pesquisei sobre o assunto e vi que isso não
era
nada demais. O que importava era que Mayara estava bem e não tinha
nenhum retardo de crescimento. Preocupante seria se esse achado
ocorresse antes de 34 semanas. Mas no final da gestação era
absolutamente normal. Isso não me abalou, continuei confiante no meu
parto normal.
Na última consulta, 39s3d (quarta-feira), mesmo quadro: nada de
contração, dilatação e Mayara continua alta, tinha descido só um
pouquinho. Diálogo entre a médica (GO) e eu (EU). Adriano e minha mãe
presentes.
GO: Seu colo está muito fechado, não posso induzir assim e sua
placenta
está grau 3.
EU: Sim, eu sei! Mas sei que isso não tem problema se o bebê está
bem.
GO: Mas você não tem nenhuma dilatação e não sabemos quando começará.
A
placenta pode parar de nutrir o bebê até lá. Você vai arriscar?
EU: Por que? Quanto tempo antes o colo começa a dilatar?
GO: Não tem tempo certo, mas geralmente, uns quinze dias antes.
(Dando a entender que eu passaria de 41 semanas se esperasse o colo
dilatar. O limite dela era 41 semanas)
EU: Não existe nada para amolecer o colo?
GO: Não. Já que você quer tanto parto normal, vamos fazer assim: Você
faz um US/Doppler amanhã e leva pra mim no domingo no plantão. Se
estiver tudo bem e o colo tiver começado a dilatar, esperamos mais uma
semana. Senão, fazemos a cesárea na segunda-feira.
EU: Ok! :)
Aí ela ligou na maternidade e marcou minha cesárea para a
segunda-feira,
às 10h da manhã. Saí do consultório super confiante que não ia
precisar
de nada disso. Sabia que faria o US e estaria tudo bem.
Na saída do consultório, a preocupação da minha mãe era visível.
Ela achava que eu não podia arriscar. Que eu precisava aceitar a cesariana
se fosse para o nosso bem. E o Adriano do meu lado, mas ao mesmo tempo
com medo também. Em casa, a noite, chorei horas! Pedia à Mayara,
implorava que ela descesse e meu colo começasse a dilatar. Falava pra
ela que o US ia dar tudo certo e que só faltava ela descer até domingo
pra esperarmos mais uma semana. Adriano tentava me confortar, dizendo
que tudo ia dar certo sim, mas que se precisasse da cesárea não era
pra
eu ficar daquele jeito, que o que importava era a Mayara nascer bem! Eu
concordei, mas não conformava. Ao mesmo tempo que pensava que tinha que
ser parto normal de qualquer jeito, pois não me imaginava numa cesárea,
eu fui ficando passiva e parece que sofri tudo que tinha que sofrer pela
cesárea naquela hora.
No dia seguinte, acordei super animada, avisei no trabalho que ia
atrasar, pois estava indo fazer exame. Adriano foi comigo. Eu sou assim.
Nada como uma chorada pra levantar os ânimos! hehe Levantei nova em
folha e fui toda alegre fazer o US.
A médica sempre muito atenciosa comigo, disse que estava tudo bem,
mas... Ai ai ai... Ela falou: “O índice que importa para saber se o
bebê está bem é este aqui, que é uma razão entre o da artéria cerebral média
do bebê e o da placenta. E este está normal = 0,7 (tem que ser menor
que
1), mas o da artéria cerebral média analisado isoladamente está no
limite da normalidade. Isso não importa muito. O outro que é o
importante está normal.” Eu tinha contado pra ela o combinado com
minha
médica e ela disse pra eu mostrar o US naquele dia mesmo. “Vai lá
mostrar pra ela, ela está aqui em frente mesmo. De repente, ela já
muda
os planos. Ao invés de você vir domingo pra consultar, já vem com sua
malinha”. Fiquei super tranqüila, o tal índice não era importante e
a
Mayara poderia nascer até domingo! E lá fui eu com aquele exame
escrito:
Artéria cerebral média IP = 1,1 (limite inferior de normalidade)
Minha médica foi me vendo e foi falando “Ih, se você está aqui é
porque
teve algum problema” e eu dizendo que não e explicando o que a outra
tinha falado. Enquanto eu falava acho que ela nem ouvia. Abriu o exame e
disse “É Pollyana, vai ter que ser hoje!” Eu olhei nos olhos dela e
minhas lágrimas escorreram. Eu não disse nada. Apenas concordei com a
cabeça. Ela disse pra eu ficar de jejum, não tomar nem água, ir pra
casa
arrumar minhas coisas e ir pra maternidade. Marcamos a cesárea para
19h30.
Depois que saí de lá, estava feliz. Começamos a sorrir e nos abraçar.
Felizes porque era o dia que nossa tão desejada princesa ia chegar e
nós, finalmente, íamos nos conhecer!! Começamos a ligar pra todos os
familiares e amigos e dizer que a Mayara ia nascer.
Chegamos em casa, eufóricos e fomos arrumando tudo! (Não tinha nada
pronto). Tiramos fotos! Foi bem legal. Saí de casa no meio da tarde,
pra
garantir a vaga na maternidade.
Na Maternidade
Quando chegamos, minha mãe (Eulina), Mari (irmã) e Luciene (amiga) já
estavam lá nos esperando todas animadas. Logo depois, Helinho (irmão)
e
já a noite Eliane, Camilo (sogros), João (padrasto), Paty e Camila
(cunhadas) chegaram também. Uma festa! Como eu queria! Toda a família
junta.
Quando cheguei, a plantonista me examinou e não estava com uma cara
muito boa, parece que não estava vendo motivo pra me internar. E eu que
fiquei convencendo-a de que estava na hora, que o US tinha dito isso.
Quando saí da sala, minha mãe, empolgada como sempre, perguntou pra
médica com a maior alegria “Então? está na hora da Mayara
nascer!?” Ela
respondeu “É! Tá!”, toda desanimada.. Minha mãe até comentou
depois “Que
médica mais mal humorada!” Bom, aí me fizeram subir pro quarto de
cadeira de rodas. Eu não sentia nada! Disse que não precisava e a
enfermeira toda atenciosa “Mas não foi o US?”, eu concordei e fui
de
cadeira. Fiquei no quarto esperando com todos da família a hora
marcada.
Enquanto isso fui colocando data nas lembrancinhas e ligando para avisar
os amigos.
Quando chegou a hora, vieram me buscar de maca e eu tive que ir deitada
de lado. Eu ficava pensando que a cena devia estar ridícula. Pra isso
tudo? Eu não sinto nada! Mas fui numa boa. Eu estava feliz e curtindo
cada momento.
Fiquei na sala pré-parto esperando minha médica chegar e enquanto isso
fizeram a raspagem dos pêlos. Tinha uma outra moça também esperando o
médico dela. Primeiro filho e visivelmente triste. Ficamos as duas
sozinhas e acabamos fazendo companhia uma para a outra. O caso dela era
idêntico ao meu. Também acabara de fazer um doppler e fora constatada
a
“necessidade” da cesárea. Ela estava triste porque tinha sonhado
muito
com o parto normal. Ela foi primeiro e eu fiquei esperando.
Quando chegou minha vez (21h), fui pro centro obstétrico. Todos da
equipe que iam chegando iam se apresentando: anestesista,
neonatologista. Me deram a raqui-anestesia. Foi péssima a sensação. A
parte inferior do meu corpo começou a formigar inteiro. E quando
encostavam em mim para me ajeitar na mesa eu tomava uns choquezinhos.
Adriano entrou, ficou do meu lado e abriram a cortina do vidro que tinha
atrás de mim, na sala de cirurgia. Toda a minha família ali atrás. Eu
me
virava e via todos eles lá torcendo e vibrando pela chegada da Mayara.
Foi muito bom isso!
Passados alguns minutos eu perguntei pra minha médica: “Você já
começou
a cortar?” Ela respondeu “Estou quase acabando! A Mayara já está
quase
nascendo!” Eu comecei a chorar muito, como boa chorona que sou. Eu não
podia acreditar que o momento que eu sonhei tanto, que era conhecer a
minha filhinha tão desejada estava chegando. Era muita emoção pra uma
pessoa só! Eu estava tããão feliz que ela ia nascer e todos estavam
ali
comigo.
De repente, meu corpo começa a balançar muito, sacudir mesmo. Era a
obstetra tentando tirar a Mayara. Até que às 21h17, eu escuto um
chorinho engasgado. Olho para trás e minha família só faltava virar
cambalhota. Riam, choravam de emoção. Todos da sala de cirurgia
começaram a gritar e comemorar, dizendo que ela era linda. O Adriano
falou que ela tinha olhos azuis como os meus. E eu querendo logo ver a
Mayara. Cadê ela? Todo mundo já viu, menos eu! Dri tirou várias fotos
dela nascendo e minha cunhada Patrícia estava filmando lá de fora.
Pelo
vídeo, deu pra ver que ela nasceu e foi levada para o canto da sala, em
um ângulo que eu não conseguia ver, mas que todos viam. Ela foi
aspirada
muiiiiiitas vezes, até que chorou sem engasgo. Enquanto isso eu falei
pro Dri “Pergunta quanto foi o apgar!”. Ele foi lá perguntou e
disse que
foi 8, no primeiro minuto.
Finalmente, trouxeram-na pra mim e eu chorando (desde aquela hora! rsrs). Eu com os braços abertos e meio presos e vestida com aquela
roupa
de hospital. Colocaram-na deitada em cima do meu peito, virada para mim,
toda enrolada e chorando. Olhei pra ela e chorei mais! Consegui colocar
a minha mão direita naquela cabecinha branquinha e pelada e comecei a
conversar com ela. “Filha, a mamãe está muito feliz que você
chegou!
Deus, te abençõe! Que você seja uma pessoa linda e cresça com muita
saúde!” Ela parou de chorar e olhando pra mim! Eu ali chorando, cheia
de
emoção e reparando em cada detalhezinho do rosto dela. Era o bebê
mais
lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida! (Sou suspeita, né?
rsrs). A pediatra tirou uma foto de nós três para registrar nosso
encontro. :)
Ela ficou mais alguns minutos comigo e depois a pediatra disse que precisava levá-la. Ela pegou a Mayara e entregou pro Dri mostrar pro
pessoal que estava ali no vidro da sala. Quando o Dri foi entregá-la
pra pediatra, May começou a chorar. A pediatra devolveu ela pro Dri e foi
ele quem levou ela pro berçário.
Depois que eles saíram, eu fiquei sozinha! Olhei pra trás e já não
havia mais ninguém, todos tinham ido ver Mayara. Eu continuava chorando e
imaginando cada detalhe do rosto dela. Estava feliz e emocionada demais.
Terminaram a cirurgia e me transferiram para a maca. Eu parecia uma gelatina da cintura pra baixo. Essa imagem nunca mais saiu da minha
cabeça. Esquisito demais!
Fiquei na sala de recuperação esperando a anestesia acabar. Fiquei sozinha novamente. Não tinha ninguém na sala, nem enfermeira. Eu
olhava
para um relógio que tinha na minha frente e chorava, contando os
minutos
pra reencontrar minha princesa e relembrando de tudo que tinha
acontecido. Essa foi a pior hora da minha vida!
Finalmente consegui levantar as pernas e me levaram pro quarto. No caminho, cumprimentei meus amigos que chegaram enquanto eu estava
lá
dentro: Fabiana, Gustavo e Márcia. Cheguei ao quarto e logo depois veio
minha florzinha de 3165 g e 49 cm. Sentei na cama e coloquei ela pra
mamar pela primeira vez. Pega perfeita! Parecia que já era expert. Já
deviam ser umas 23h e a enfermeira disse que voltaria pra levá-la pro
berçário. Eu disse que nós íamos passar a noite com ela. Passamos a
noite em claro! Todos em adaptação! Valeu muito a pena!! Estávamos muito
felizes por, finalmente, estarmos juntinhos!!!
Nas duas manhãs seguintes, ela foi levada para avaliação pediátrica
e ficou mais de uma hora longe de nós. (Não entendo até hoje, como deixei
isso acontecer...). Recebemos mais visitas, enquanto ficamos internados:
Érica, Tetê, Lucas, Tia Daisy, Léo, Alexandre, Cybele, Pedro Henrique,
Marco, Lászlo e Sibele. Recebemos alta no dia 26, no início da tarde.
A
Luciene saiu do hospital conosco. Saí de lá muito grata a toda equipe
do
hospital e achando que tudo aconteceu da melhor maneira que podia ser.
Com minha amada nos braços!
Reflexões
Em março de 2007, sete meses depois, minha ficha começa a cair. Será que
tudo que aconteceu deveria ter sido mesmo assim? Será que minha cesárea
foi mesmo necessária? Será que mesmo ela tendo sido necessária, tudo
não
poderia ter sido um pouco melhor?
O que mais começou a me corroer por dentro foi não ter tido contato pele-a-pele com Mayara, no instante seguinte ao nascimento. Eu queria
que ela tivesse sido imediatamente colocada nua no meu peito nú e mamado
na primeira hora. Queria que ela não tivesse sido aspirada da forma que
foi. Queria que o ambiente tivesse sido mais respeitoso, sem o alvoroço
que foi quando ela nasceu. E queria que não ficássemos cerca de 2
horas
sem nos ver.
E a cesárea? Não sei responder se ela teria sido necessária ou não.
Mas sei que naquele momento não tinha indicação absoluta. Eu estava bem
e
nem tinha sinal de trabalho de parto. E Mayara também estava muito bem,
batimentos normais e provavelmente já encaixando (fato comprovado pela
dificuldade de retirá-la de mim). Se ela estava correndo um grande
risco, a cesárea deveria ter sido realizada na mesma hora, não? Talvez
repetir os exames, enfim, continuar observando, acompanhando e
monitorando.
O que eu poderia ter feito pra ter mudado o final dessa história?
Hoje eu sei que se tivesse tido parto normal, muito provavelmente, eu não teria questionado tudo que questionei e não teria me tornado a
pessoa que sou hoje: defensora do parto ativo. Além do mais, teria sido
cheio de intervenções (muitas desnecessárias), devido ao tipo de assistência que escolhi. E a parte que eu menos gostei (a falta de
contato com Mayara), teria sido igual. Digo que essa é a parte que eu menos gostei porque da cesárea em si, acho que não tenho muito a
dimensão do que eu perdi. Isso eu só saberei no próximo filho, em uma
nova oportunidade. Saberei como é grandioso e milagroso sentir o bebê sair, cada pedacinho. Sentir que eu estou dando a luz, que sou perfeita
e estou completando um ciclo da minha feminilidade: A vida é um milagre
e Deus pensou em cada detalhe!
Sei que eu deveria ter almejado muito mais de um parto para conseguir fazê-lo (sim, é a mulher que faz seu próprio parto) e a partir do
momento que eu entreguei todas as decisões nas mãos de uma pessoa que
não pratica as recomendações baseadas em evidências (que primam pelo
bem
estar de mãe-filho) realmente era muita sorte se eu conseguisse.
Eu queria dizer para você, mulher, que lê esse relato: Busque seu parto!
Não se contente com pouco. O parto pode ser a maior e melhor experiência
da sua vida. É maravilhoso quando acontece num lugar agradável e na
companhia de pessoas que você confia e que confiam no processo. O fato
de você se sentir respeitada, segura, tranqüila e confiante diminui a
percepção da dor e aumentam muitíssimo as chances de sucesso. Busque
isso! Protagonize sua gestação, seu parto e a amamentação! Você é
a dona
do seu corpo e seu instinto feminino sabe o que é melhor. Não deixe o
bonde passar pra depois ter a sensação que podia fazer tudo muito
diferente. Nós até podemos ter a chance de um novo parto, mas nossos
filhos só nascem uma vez.
Agradecimentos
Agradeço a Deus por tudo o que sou e pelas bençãos que ele me concede
diariamente. Obrigada por me mostrar que está sempre presente.
Agradeço ao Adriano, por ser o príncipe encantado que eu sonhei na infância. Um homem honrado, honesto, amigo, cúmplice, carinhoso,
companheiro e pai excepcional. Amor da minha vida, eu te amo a cada dia
mais e tenho certeza que apesar de sermos duas pessoas, somos uma só
alma!
Agradeço a toda minha família por todo apoio sempre. Obrigada por me respeitarem e me tratarem com amor e carinho sempre. Obrigada por
toda
alegria que vocês me transmitem e pela torcida infinita. Obrigada por
me
ajudarem quando preciso! Vocês são meu porto seguro.
A todos os amigos pelo carinho e consideração.
Agradeço a Mayara, por ter vindo realizar meu sonho de ser mãe. Cada dia
descubro que te amo mais e mais e sou feliz todos os dias por ter essa
linda família que você veio completar. Nosso primeiro contato foi um
pouco comprometido, mas tenho certeza que recuperamos todo o vínculo.
Nós sabemos ler o pensamento uma da outra e temos uma sintonia enorme,
mesmo você sendo apenas um bebê! ;) Filha,
você é o sol da minha vida!
Te amo! Te amo! Te amo!
|
|
Abril/2008
Pollyana do Amaral Ferreira |
|